Teletrabalho: Como ficaremos?

Nas últimas décadas, a tecnologia, sorrateiramente, tem obrigado as pessoas à sua adesão para realizarem atividades cotidianas e se manterem atualizados.

E não foi diferente quando surgiu a tramitação dos processos judiciais através do sistema PJe, que era um grande passo da Justiça, trazendo celeridade, transparência e evitavam os incômodos que antes existiam, de autos não localizados ou diligências ao Fórum que resultavam em perda de tempo, em razão do processo estar, por qualquer motivo, inacessível.

Nesta linha da evolução e nos últimos meses a tecnologia foi primordial para inúmeros setores, possibilitando que a continuidade da prestação de serviços fosse realizada virtualmente, no sistema teletrabalho, home office, o que já era realidade para algumas empresas, principalmente nas áreas de tecnologia, bancária e estrangeiras.

Particularmente, a grande maioria das empresas, dos escritórios de advocacia e os próprios Tribunais, em razão do isolamento decorrente da pandemia, foram obrigados a implementar o sistema teletrabalho para seus colaboradores, não tão esperançosos, num geral, de que as metas seriam atingidas ou que a prestação de serviços seria satisfatória, que os projetos seriam entregues.

No entanto, a resposta foi surpreendente! A aprovação do sistema teletrabalho foi quase que imediata!

Chegou-se a conclusão que houve aumento da produtividade, sem as interrupções antes rotineiras, que dificultavam a execução e maior concentração dos trabalhos, redução do espaço físico e consequente diminuição de custos aos empresários e colaboradores, possibilidade de usufruir maior tempo da vida social e a minimização do stress e do cansaço, decorrente do trajeto, por exemplo. Estas medidas, certamente, trouxeram benefícios econômicos e, mais do que isso, um respiro para nossa natureza como, por exemplo, redução dos níveis de poluição atmosférica, sonora. O tempo consumido no transporte público ou trânsito foi convertido em convívio familiar, atividade física, leitura, trabalho e com isso, evitando emissão de poluentes.

Em um momento de grandes incertezas, muitas empresas estão reduzindo os espaços, devolvendo parte da metragem, ou procurando novos endereços. Percebeu-se que não são tão necessárias ou imprescindíveis as reuniões presenciais, em locais suntuosos. A alternância entre ir para os escritórios alguns dias e outros ficar em casa poderá ser uma realidade a ser implementada, incentivada, o que poderá ser bom para empresários e trabalhadores.

Hoje, mesmo em um momento delicado, foi possível conhecer plataformas que permitem reuniões virtuais, compartilhamento de dados, inclusive no conforto de nossas casas e mudou a mentalidade das pessoas, quebrando um tabu.

As reuniões por vídeo conferência têm se mostrado muito produtivas, além do que se evitam despesas com transporte, estacionamento, o que é bem conveniente em época de redução de custos.

Mas há dados para sustentarmos algumas destas informações?

Sim, por exemplo, os Tribunais, em especial, desde o início do sistema teletrabalho, têm gerenciado o trabalho executado por Juízes e seus Servidores, contabilizando os despachos, as sentenças e as decisões.

Para se ter uma ideia, desde o início deste sistema de trabalho (teletrabalho), em ambas as Instâncias, foram: 114.448 sentenças e acórdãos; 164.136 decisões; 641.799 despachos e 9.907.775 atos de servidores, o que, nem de longe, ocorreu no mesmo período no ano de 2019.

Outro fator que chama a atenção é a realização de audiências iniciais ou de conciliação, bem como, mais recentemente, de produção de provas, com a oitiva de testemunhas, por exemplo, todas de forma virtual.

Esta modalidade de audiência tem surtido efeito favorável em razão da celeridade, da economia para ambas as partes, com tempo e deslocamento até os Tribunais e aumento na resolução dos casos.

Alguns Tribunais já têm manifestado a intenção de manter as audiências virtuais, mesmo quando cessarem as medidas de isolamento.

Isto demonstra que o teletrabalho, ainda que implantado de forma contingente e obrigatoriamente, para preservação da saúde, surtiu efeitos positivos, não só aos servidores, Juízes e Desembargadores, que atingem as metas, mas também aos advogados que evitam custos e tempo no deslocamento, evitando, assim, aglomeração, conflitos e diligências ineficazes.

Sob outro ângulo, é igualmente importante que as empresas mantenham atenção na forma pela qual a prestação dos serviços na modalidade teletrabalho, nas residências das pessoas, e isso se diz especialmente em relação aos cuidados com a saúde, com a coluna, com os braços, entre outras cautelas. Além disso, outro ponto de atenção, já que a realidade do teletrabalho tende a se projetar para o futuro, é estabelecer regras bem claras e definidas quanto aos custos com as ferramentas necessárias ao trabalho.

Diante disso, é importante manter-se atento para as mudanças, pois a sociedade e a Justiça caminham para uma nova realidade.

Publicações relacionadas

Prazo para entrega da Declaração de Informações Econômico-Financeiras (DEF) trimestral encerra dia 30 de junho

As empresas receptoras de investimento estrangeiro, com patrimônio líquido e total do ativo igual ou superior a R$ 250 milhões, devem atualizar, até 30 de junho deste ano, as informações prestadas no sistema RDE-IED, referente à data-base 31 de março de 2022. Para tais empresas, a DEF deverá ser entregue trimestralmente, conforme datas abaixo, relativas a 2022: Até 30 de junho, referentes à data-base de 31 de março; Até 30 de setembro, referentes à data-base de 30 de junho; Até 31 de dezembro, referentes à…

A importância do tratamento de dados no processo seletivo de empresas

Em vigor desde setembro de 2020, a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) trouxe às empresas a necessidade de adequação de diversos processos e procedimentos internos, e, dada a iminência do início da vigência quanto a possibilidade de aplicação de penalidades pela ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados Pessoais), que ocorrerá em agosto de 2021, cresce diariamente a preocupação com essas adequações. A Lei Geral de Proteção de Dados define como dado pessoal qualquer informação que permita identificar um indivíduo,…

Fusões e aquisições em tecnologia crescem 87% em um ano

As fusões e aquisições (M&A) de empresas e ativos no setor de tecnologia estão em pleno vapor. Nossos sócios, Leonardo Briganti e Rodrigo Loureiro concederam entrevista para a Revista LIDE, do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais comentando esse aumento no cenário brasileiro. Confira aqui a entrevista na íntegra.