STF autoriza créditos de PIS e COFINS na aquisição e estabelece tributação nas saídas de insumos reciclados (tema 304)

O Supremo Tribunal Federal modulou os efeitos no julgamento do Tema 304, estabelecendo o aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na aquisição de insumos recicláveis e, em contrapartida, a tributação das receitas decorrentes das vendas de sucatas.

No ano de 2021, o STF declarou inconstitucionais os artigos 47 e 48 da Lei nº 11.196/2005 (Lei do Bem), que impediam o creditamento na aquisição de recicláveis, mas previam a suspensão dos tributos na saída.

Em 06/03/2026, em apreciação de embargos de declaração a Corte estabeleceu que a decisão de inconstitucionalidade passa a produzir efeitos a partir da publicação da ata de julgamento dos embargos (11/03/2026), ressalvadas as ações ajuizadas até 15/06/2021, data em que foi publicada a ata de julgamento do recurso extraordinário.

Na prática, desde 12/03/2026, é possível o creditamento de PIS/Cofins na aquisição de recicláveis pelas empresas industriais sujeitas ao regime do lucro real e à sistemática não cumulativa das contribuições.

Por outro lado, a declaração de inconstitucionalidade encerrou a isenção do recolhimento do PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da venda de sucatas e insumos recicláveis, de modo que os contribuintes devem passar a tributar imediatamente as saídas de sucatas.

A modulação resguardou a impossibilidade de qualquer cobrança para o passado, isto é, não será exigido o PIS/Cofins para os fatos geradores ​anteriores a 11/03/2026 (data da publicação da ata de julgamento). Além disso, empresas que ajuizaram ações até 15/06/2021 poderão recuperar os valores relativos ao PIS/Cofins sobre as aquisições.

Embora a decisão ainda seja passível de novos recursos, as empresas que operam na cadeia de reciclagem devem realizar realizem ajustes imediatos em seus sistemas internos para permitir o creditamento de PIS/COFINS nas aquisições de recicláveis e tributar corretamente as vendas de sucatas e insumos recicláveis, garantindo a conformidade tributária e evitando atuações fiscais.

Publicações relacionadas

TRF1 mantém co-habilitação ao Reidi de fornecedora de aerogeradores para eólicas

A 13ª Turma do TRF1 consolidou o direito à co-habilitação de empresa do setor energético ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), reconhecendo o seu papel essencial na instalação e manutenção de aerogeradores para parques eólicos da Região Nordeste. A decisão, já definitiva, reforça que decretos e instruções normativas não podem criar restrições além das previstas pela Lei, resguardando os princípios da legalidade e da isonomia tributária. O caso foi conduzido pela advogada Claudia Frias, do Briganti Advogados, que destacou que…

Gustavo Degelo participou do encontro Reforma Tributária no Consumo: Mudanças no Crédito Tributário promovido pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil

No último dia 28, nosso sócio Gustavo Degelo participou de um encontro promovido pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil para debater os impactos da Reforma Tributária sob diferentes perspectivas. O evento contou com a presença do Secretário Extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, Javier Gallardo, Conselheiro Financeiro da Embaixada da Espanha e especialistas que trouxeram reflexões relevantes sobre temas como crédito tributário, tributação no destino, Split Payment e os desafios na implementação das novas obrigações acessórias. Gustavo Degelo integrou o painel que tratou…

‘Stalking horse’ garante preço mínimo para ativos na falência ou recuperação

Em artigo para Revista Consultor Jurídico, a advogada Fernanda Alves de Oliveira escreveu sobre a modalidade de aquisição de ativos em falência e recuperação judicial, “stalking horse”, termo originário do direito falimentar americano, que garante preço mínimo e condições vinculativas na venda. “Através do ‘stalking horse’, a empresa em recuperação judicial ou em situação falimentar (devedora) se utiliza desse mecanismo para ter licitante inicial (o ‘stalking horse’) visando à venda de seus ativos. Assim, esse licitante inicial estipulará um lance mínimo para alienação dos ativos…
Briganti

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.