Aspectos regulatórios e ambientais nas operações de fusões e aquisições (M&A) no setor do agronegócio no Brasil

O agronegócio destaca-se como um dos setores mais relevantes e estratégicos, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento econômico do país.  Nos últimos anos, observa-se um aumento significativo nas operações de fusões e aquisições deste segmento, em conjunto com a melhora no desempenho do agronegócio na economia.

Diante desse cenário, é crucial que todas as partes envolvidas estejam atentas às exigências regulatórias específicas do agronegócio, garantindo assim a conformidade e o sucesso das transações.

Observa-se que um dos principais aspectos regulatórios em M&As é a legislação antitruste, que visa prevenir a formação de monopólios e promover a concorrência justa, e que no Brasil tais operações devem ser aprovadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE),  especialmente nas hipóteses em que as empresas envolvidas tenham faturamentos expressivos.

No setor do agronegócio onde empresas podem dominar cadeias de suprimentos inteiras, que envolvem desde insumos, produção, processamento, distribuição e venda, torna-se essencial que as autoridades regulatórias examinem as transações para garantir que não resultem em desequilibro de mercado. Sendo assim,  as empresas devem estar preparadas para fornecer todos os detalhes sobre suas operações e demonstrar que a transação não prejudicará a concorrência do mercado.

Além disso, o setor do agronegócio impacta de forma significativa o meio ambiente, como consequência os M&As nesse setor devem considerar as regulamentações ambientais. No Brasil  os órgãos responsáveis  pela regulamentação e fiscalização é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e a depender da operação, também envolvem a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Assim,  é imprescindível que as partes envolvidas nas transações observem o cumprimento de normas relacionadas ao uso da terra, gestão de recursos hídricos, emissões de carbono e proteção da biodiversidade, conforme aplicável à natureza das atividades de exploração das empresas.

Ademais, com relação às empresas que se utilizam de agrotóxicos, é essencial estarem atentadas as normas regulatórias, considerando que é estritamente regulamentado, exigindo registro e aprovação por parte dos órgãos competentes.

A legislação pertinente abrange uma ampla gama de aspectos, incluindo o registro, classificação, embalagem, rotulagem, transporte, armazenamento, comercialização, uso e descarte desses produtos. Essas normas visam assegurar que os agrotóxicos sejam utilizados de maneira segura e responsável, minimizando riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Da mesma forma, empresas que atuam no setor da agrícola e pecuário precisam estar atentadas aos regulamentos sanitários e fitossanitários, garantindo a segurança alimentar e a saúde de plantas e animais. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) são responsáveis por estabelecer e fiscalizar as diretrizes destes setores.

Em relação aos aspectos ambientais, é fundamental observar as diretrizes estabelecidas pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012). Esta legislação define regras claras para a preservação de áreas de vegetação nativa, incluindo Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs). As Áreas de Preservação Permanente são áreas protegidas, essenciais para a conservação dos recursos hídricos, a estabilidade geológica e a biodiversidade, além de assegurarem o bem-estar das populações humanas. Já as Reservas Legais são porções de propriedades rurais que devem ser mantidas com cobertura vegetal nativa, desempenhando um papel crucial na manutenção da biodiversidade e na mitigação das mudanças climáticas.

Deste modo,  a fim de mapear todas as exigências regulatórias de uma operação, recomenda-se que realizem  auditorias ambientais detalhadas. Essas auditorias têm como objetivo identificar passivos ambientais e assegurar que as operações futuras estejam em conformidade com as leis ambientais.

Destaca-se que é nesta fase de auditoria que se verifica a regularidade ambiental da sociedade envolvida, e caso sejam necessárias adaptações e regularização às normas vigentes,  como a obtenção de alvarás, licenças e/ou aprovações, estas deverão estar previstas nos contratos preliminares e/ou definitivos, especialmente nas condições precedentes ao fechamento da transação ou após o closing, a depender da operação e regulamentação necessária.

Além disso, nesta ocasião é realizada a análise e apuração  de potenciais passivos ocultos, que podem vir a se materializar no futuro, resultando em possíveis ajustes de preços e mecanismos de retenção (holdback), os quais devem estar previstos nos instrumentos contratuais.

Diante do exposto, ressalta-se que para ocorrer uma transação bem-sucedida, é fundamental o levantamento de todas as exigências regulatórias e ambientais em âmbito municipal, estatual e federal, por meio da realização de auditorias, evitando assim o insucesso das operações e aplicação de multas às empresas envolvidas.

Publicações relacionadas

Tarifaço dos EUA tem impacto menor que o previsto nas exportações brasileiras

Dois meses após o tarifaço de até 50% imposto pelo governo norte-americano, o impacto nas exportações brasileiras foi menor do que o estimado inicialmente. Levantamento da Amcham Brasil mostra que menos da metade dos produtos exportados aos EUA foi atingida pela alíquota máxima — concentrada em commodities como café, carne e açúcar, que conseguiram redirecionar suas vendas a outros mercados. Mas nem todos os setores reagiram da mesma forma: áreas como madeira, móveis e maquinário ainda sofrem com estoques altos, custos crescentes e necessidade de…

Recebo dividendos de uma empresa nos Estados Unidos. Tenho que pagar imposto aqui também? Ou isso já está resolvido lá fora?

As dúvidas sobre a tributação de investimentos internacionais ainda geram incertezas na hora de preencher o Imposto de Renda. Quando uma pessoa física residente fiscal no Brasil recebe dividendos de empresas sediadas no exterior, assim como nos EUA, esses rendimentos também devem ser tributados por aqui e a alíquota do imposto de renda é fixa de 15%. Apesar de já haver cobrança de imposto nos EUA, o acordo de reciprocidade entre os dois países permite compensar esse valor com o que será pago no Brasil.…

Declaração de capitais brasileiros no exterior – CBE 2020

Às 10:00 horas do dia 15 de fevereiro de 2020, terá início o prazo para entrega da Declaração Anual de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) – 2020, com término às 18:00hs, do dia 05 de abril de 2020, de acordo com calendário definido pela Circular 3.624, de 06.02.2013, alterada pela Circular 3.830, de 29.03.2017, ambas do Bacen. A Declaração CBE Anual é obrigatória, de acordo com a legislação vigente do Bacen, e deverá ser entregue por todas as pessoas jurídicas ou físicas, residentes, domiciliadas ou…
Briganti

Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.